sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

varias questões sobre a obesidade

O que é a obesidade?A obesidade consiste num excesso de gordura depositada no tecido adiposo que conduz a um peso corporal superior ao desejável. O número de obesos tem vindo a aumentar rapidamente, tendo sido considerado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) um problema de saúde pública importante.Quando é que um indivíduo tem excesso de peso ou obesidade?Aceita-se o Índice de Massa Corporal (IMC=peso/altura2) como a medida standard internacional de avaliação da gordura corporal nos adultos. A classificação da OMS considera excesso de peso os indivíduos com IMC compreendida entre 25 a 29,9 kg/m2 e classifica obesidade superior a 30 kg/m2.Qual é o impacto da obesidade na população?A prevalência da obesidade é maior nos países industrializados e nas zonas urbanas. O excesso de peso afecta cerca de 10 a 25% dos adultos da Europa Ocidental e 20 a 25 % no continente Americano. Calcula-se que a obesidade nas crianças se aproxime dos 10% e que 30% destas crianças tornar-se-ão obesas em adultos. Em Portugal estima-se que 1/4 a 1/3 dos adultos tenham excesso de peso e 1/4 sejam obesos.Qual é a influência dos genes na obesidade?A obesidade é uma doença complexa e multifactorial que se desenvolve da interacção entre o genes e o ambiente. Existe actualmente evidência da importância que a influência genética tem no desenvolvimento da obesidade. Segundo alguns estudos o peso específico da acção genética é superior a 50%. Os humanos possuem um gene idêntico à proteína "leptina", levando ao aumento do peso quando aquela proteína está alterada. A influência genética é apoiada pela seguinte constatação - um ou os dois progenitores obesos têm 40% e 80% de probabilidade de ter filhos obesos, respectivamente. Também as crianças adoptadas têm um peso mais próximo dos pais biológicos. E os gémeos monozigóticos (gémeos verdadeiros) têm pesos mais semelhantes que os dizigóticos (falsos gémeos).Quais os factores do ambiente que contribuem para a obesidade?Não existe ainda a compreensão completa sobre todas as causas que favorecem a obesidade. Estão contudo, identificados os principais factores relacionados com o ambiente que contribuem para o seu desenvolvimento:• os estilos de vida sedentários resultante do crescente número de actividades diárias com baixo consumo de energia, como por exemplo o uso de elevador.• a ingestão crónica e excessiva de calorias, estimulada pelo desenvolvimento de alimentos com excesso de calorias, (relacionada com o crescimento da indústria do fast food), e a maior disponibilidade de tempo para socialização e consequente consumo de comida e bebidas.Outras causas menos frequentes estão relacionadas com algumas doenças, nomeadmente o hipotiroidismo e o síndrome de Cushing. Também existem alguns fármacos que poderão provocar aumento de peso, como os anabolizantes esteróides, corticóides, progestagéneos e alguns antidepressivos.Como pode ser feito o diagnóstico?Não é apenas a avaliação do Índice da Massa Corporal que determina o risco para saúde, mas também a distribuição da gordura no organismo. De acordo com as últimas recomendações técnicas aconselha-se que a avaliação do peso tenha em conta três avaliações:1. Índice de Massa Corporal, que permite definir as seguintes categorias:• Excesso de peso: IMC 25 - 29.9 kg/m2• Obesidade ligeira : IMC 30 - 34.9 kg/m2• Obesidade moderada: IMC 35 - 39.9 kg/m2• Obesidade grave: IMC > 40 kg/m22. Perímetro da cintura. Estudos demonstram que a medição do perímetro da cintura é o melhor marcador da gordura abdominal. Considera-se que uma pessoa tem um risco elevado quando o perímetro da cintura é superior a 102cm no homem e 88 na mulher.3. A detecção de factores de risco para as doenças cardiovasculares e outras patologias associadas à obesidade, nomeadamente a diabetes mellitus, hipertensão arterial e o doseamento do colesterol e triglicerídeos. Existem, no entanto, outros métodos que permitem avaliar a obesidade, nomeadamente:• Tabelas de peso e altura, actualmente em desuso, fornecem intervalos de peso desejável para adultos tendo em conta a altura e biótipo.• Percentil de peso, é utilizado nas crianças para a definição de obesidade. Considera-se uma criança obesa, quando o seu peso da criança está acima do percentil 95 ou existam mais de 2 desvios-padrão acima da referência média do peso para altura.• Espessura de pregas cutâneas, nomeadamente do braço, abdómen ou dorso. Permite uma avaliação fácil da gordura no corpo, mas não avalia a gordura perivisceral (gordura que envolve internamente os orgãos) • Relação cintura/anca. Determinar se a obesidade é andróide quando a relação é superior a 1, ou ginóide quando inferior a 1; sendo o risco de doenças cardiovasculares superior no primeiro caso.É necessário realizar exames na avaliação da obesidade?Tem interesse realizar alguns exames complementares de diagnóstico na avaliação de uma pessoa obesa, com o objectivo de detectar uma eventual doença associada como causa para a obesidade. Dos exames que se devem realizar estão incluídos: hemograma, plaquetas, urina tipo II, velocidade de sedimentação, glicémia em jejum, função renal e hepática, estudo hormonal da tiróide e metabolismo lipídico. Em doentes com obesidade, hipertensão e/ou intolerância aos hidratos de carbono está aconselhado o doseamento no sangue e urina do cortisol. A realização de um electrocardiograma está recomendada aos obesos com mais de 50 anos.Quais as doenças associadas à obesidade?A obesidade está relacionada com a mortalidade aumentada, tendo sido determinado quatro graus de risco de doença associada de acordo com o IMC:IMC Risco25 - 29,9 Baixo30 - 34,9 Moderado35 - 39,9 Alto> 40 Muito alto 30 sem factores de risco concomitantes ou IMC > 27 se estes existirem, após 3 meses ineficazes de dieta e exercício. Os medicamentos não devem ser utilizados sem investimento nas alterações de estilos de vida.Existem vários fármacos para o tratamento da obesidade:Sibutramina, é um novo inibidor da recaptação de serotonina e noradrenalina, que pode ser benéfica na redução do risco cardiovascular, tendo em conta os seus efeitos na redução do peso, no perímetro da cintura e no metabolismo das gorduras e açucares. Alguns estudos demonstraram que este fármaco pode originar um aumento da pressão arterial, pelo que o seu uso está contra-indicado em doentes com hipertensão não controlada.Orlistat é um inibidor específico das lipases intestinais, reduzindo em 30% a absorção de gorduras. O tratamento deve ser acompanhado de uma dieta hipocalórica. Uma cápsula de 120 mg deve ser tomada antes, durante ou após as 3 refeições principais, até 2 anos. Surgem como efeitos secundários mais comuns a flatulência, fezes oleosas e urgência fecal. É dispendioso.Quitosano é uma fibra natural derivada do marisco que fixa a gordura ingerida, impedindo a absorção. Alguns estudos têm investigado as potencialidades do tratamento da obesidade com metformina (antidiabético oral), em particular nos doentes com obesidade abdominal conotada com hiperinsulinismo e resistência à insulina.Os catecolaminérgicos (anfetaminas e derivados: clobenzorex e fenpropex) não estão indicados porque provocam dependência, tolerância, taquicardia, palpitações, agitação e insónias. Os serotoninérgicos (fenfluramina e dexfenfluramina), foram retirados do mercado após detecção de efeitos secundários a nível das válvulas cardíacas e hipertensão pulmonar. Os novos antidepressivos como a fluoxetina, sertralina e paroxetina podem ter como um dos seus efeitos a perda de apetite, embora não estejam aprovados com essa indicação.Os medicamentos aumentam a adesão do indivíduo ao regime alimentar, ao exercício físico, mas não curam a obesidade. Quando suspensos ou não tomados, o peso tende a aumentar de novo, se não houver modificação do comportamento relativamente aos hábitos alimentares e actividade física.Quando está indicado a cirurgia?A cirurgia destina-se a doentes seleccionados, com IMC > 40 ou os indivíduos que possuem um IMC > 35 associado a uma elevado risco de doenças e mortalidade associada à obesidade, e quando foi estabelecido que outros métodos não resultaram. O sucesso desta cirurgia pressupõe o acompanhamento por uma equipa multidisciplinar treinada, que deve incluir endocrinologista, cirurgião, anestesista, nutricionista/dietista, psiquiatra/psicólogo, em articulação com o seu médico assistente.

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